Mundo
Nobel da Medicina. "Agora é possível fazer um mapa do cérebro"
Os laureados deste ano são três investigadores, autores de descobertas na área da optogenética. Uma técnica que que combina luz, genética e bioengenharia e permite o estudo dos circuitos de neurónios no cérebro.
Em entrevista à jornalista Cláudia Aguiar Rodrigues, o investigador do ITQB Nova Ricardo Henriques explica que antes da descoberta da optogenética era utilizada a eletrofisiologia, ou seja, eram utilizadas, por exemplo, agulhas que estimulavam determinadas partes do cérebro.
Agora foram descobertos estes canais, diz o investigador da Nova, que permitem modificar pequenas partes do cérebro e depois ativá-las através da luz.
Ricardo Henriques dá conta que, com este processo, "é possível descobrir como é que determinados comportamentos ou determinadas funções no cérebro funcionam."
O exemplo utilizado pelo investigador aponta para uma espécie de mapa do cérebro. Partes do cérebro associadas ao medo são ativadas através da luz e não com pequenas agulhas.
É uma forma mais natural e fisiológica de compreender o cérebro: mapearmos como é que neurónios se ligam uns aos outros e que redes nos neurónios são ativadas perante certos comportamentos.
No plano do tratamento a descoberta hoje laureada com o prémio nobel da medicina permite, diz Ricardo Henriques, "desenhar melhores medicamentos para modificar comportamentos ou para curar doenças que estão associadas a pequenos problemas que existem entre ligações entre os neurónios".
Existem laboratórios mesmo em Portugal cuja investigação é derivada do trabalho feito por este trio. Outra novidade tem a ver com os canais de iões controlados por luz e que foram primeiro descobertos em algas.
"Estes investigadores tiveram a capacidade de os adaptar para estudar um cérebro num animal e não num vegetal, tornando esta descoberta extremamente interessante".